Em dias últimos de ano nenhum
Quero de olhos entreabertos
Impregnar o Tempo de Palavras…

Ele está aí indefinível
Em multiplicidade de faces enigmáticas
Cujos segredos podem improvavelmente
Ser revelados

Em turbilhão autónomo
Agitam-se as vísceras mentais
Em parto convulsivo jorram os rios
Com palavras flutuantes
Tocando-se aleatoriamente
Em ligações esboçadas

E o Tempo permanece em pedestal volúvel
Inebriando o verbo
Abrindo-lhe trilhos em paisagem vária
Sendo os seus passos ora sombrios
Ora iluminados já esquecidos pela noite insidiosa
Que estende o seu peso qual lacaia da eternidade

Queremos trilhar o Tempo mas o nosso arado
É apenas uma forma nebulosa
Que se esvai nesse roçar esgotado
Sendo os caminhos abertos
Cicatrizados de imediato
Pela mão milagrosa doutros instantes…

Deixei estas palavras surgir
Forçado pela sua impetuosidade
Em dias últimos de ano nenhum
Obedecendo a ordens atemporais
o Tempo…esse arauto útil do Desconhecido…


Morfeu



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